19.2.09

12.8.08

Texto de André Guedes para folha de sala

Tulla Ellice Finklea

É provável que a tendência que temos nestes dias para

estabelecer, ou para estabelecerem por nós, ligações entre

factos e informações mais ou menos previsíveis, mais ou

menos úteis, me tenha feito pensar em Cyd Charisse

num dos ensaios de Strange Fruit.

O espaço de ensaio acontecia naturalmente no lugar onde

decorria a montagem da peça, um cenário inacabado feito

de coisas por vir, que se confundia com a sua própria

desmontagem, os objectos ou a falta deles de alguma forma

anunciavam um acabar.

Em determinado momento, com um dos actores no espaço,

entra o outro em cena descendo do ar, a partir de uma

acrobacia suspensa numa trave e praticando, de seguida, no

solo, ao som de uma música, uma pequena dança.

Esses passos de dança, que articulavam em simultâneo

braços e pernas, acompanhavam a música, e esse todo não

sendo mimético em relação a nada em particular, evocava a

memória ampla do espectáculo, daquilo que já assistimos

repetidas vezes ao vivo em teatros, em cinemas ou mesmo

na televisão.

Foi nesse momento que as imagens retrospectivas que

vira a propósito do desaparecimento (penso que no dia

anterior) de Cyd Charisse confluíram justamente nos

breves instantes daquela dança tão desajeitada se a

tivéssemos que comparar à perícia coreográfica dos filmes

onde charisse participou.

Ao longo do ensaio o actor (efectivamente, a actriz)

continuou juntamente com o seu parceiro, a descrever no

espaço outras ocupações da cena igualmente coreográficas.

Pareceu-me que, mais do que a necessidade de dar um

sentido ao conjunto de textos fragmentários, o que ali

ressaltava era a importância que os dois actores

demonstravam nos seus movimentos em cena e nas

transições entre os vários episódios do espectáculo anotados

em duas grandes folhas colocadas na parede.

Tratava-se de pensar para onde ir, mas sobretudo de como

ir, de aqui para ali. Era igualmente a duração e a solenidade

do acto e do gesto que tornava tudo aquilo potencialmente

significativo, e que substanciava a passagem daquele

mesmo tempo. Aquele podia ser o texto da peça, o

movimento e o modo de estar ali em cena.

Todavia, à medida que assistia às sucessivas deambulações

dos dois actores e ao adensar do universo onde estes se

moviam, parecia que esse texto queria escapar ao espaço

onde estava a ocorrer. Os elementos arquitectónicos e os

materiais em cena, bem como os fatos e as palavras, que

estavam ali como pretexto e apoio à ocupação de um lugar,

tinham a ver com um outro tempo e um outro espaço fora

dali. O espaço cénico reduzido (como o da própria loja onde

a companhia de teatro tem a sua residência) e as sugestões

veiculadas pelos actores enunciavam de certa forma a

transposição daqueles mesmos limites. a cena caminhava

no sentido daquilo que permanecia (ou permaneceu) para

além dela, em espaço, mas essencialmente em tempo.

Irremediável circunstância ou não do teatro, o que era ali

feito aparecia como uma evocação de algo vivido e

experienciado anteriormente pelos próprios ou por outros. E

como alguém referiu, os acontecimentos passados não

aconteceram, estão à espera de acontecer no momento em

que pensarmos neles. Por isso, se de facto o presente e este

momento agora (a circunstância) que nos permite fazer com

que o passado exista e regresse, o presente é de forma

recíproca, feito da ausência de materiais e pensamentos que

necessitamos construir agora para os usar agora.

E talvez por isso que e possível nestes dias, ao ler vários

obituários, fazer passado ao reemergir os tantos

nomes que teve uma mesma actriz e bailarina. Lily Norwood

quando debutou nos écrans de Hollywood em “Something to

Shout About”, Felia Sidorova e Maria Istomina enquanto

dançou sob a orientação de David Linchine e Leonid Massine

nos Ballets Russes de Montecarlo, Tula Ellice Finklea quando

nasceu em data pouco precisa (1921 ou 1922) em Amarillo

no Texas. Indeed, life’s a strange fruit.

28.6.08


Isaque Pinheiro, Em cima da terra e Debaixo do céu #2, 2008
«Tal como aconteceu com a árvore, não podes saber seja o que for do homem se o desdobras pela sua duração e o distribuis pelas suas diferenças. A árvore não é semente, depois caule, depois tronco flexível, depois madeira morta. Para a conhecer é bom não a dividir. A árvore é essa força que desposa a pouco e pouco o ceú.»
Saint-Exupéry in, Cidadela

20.6.08

19.6.08

frases reais



WE ARE NOT AMUSED ...


15.6.08


Cristina Garcia Rodero, Bajo el Magnolio

14.6.08

11.6.08

interiores



quando o fruto aparece há que o colher

9.6.08




arvorejar,
v.tr. guarnecer de árvores; v.int. cobrir-se, encher-se de árvores nascidas espontaneamente.


7.6.08


6.6.08


Enigma

pero
por
qué
diablos
esa
vieja
dama
de
guantes
blancos
de
primera
cominión
compra
en el
drug
store
de Walnut
Street
quince
pre
ser
vativos ?




The situation must be Yes - and - No,
not either - or


richard dadd 1817 - 1886

Richard Dadd was an english artist of the late nineteenth century, known for his fantastic subjects. He went mad.

5.6.08


I wish I add a river so long that I could teacht my feet to fly

portrait of a young man - Dr. charles Hood - 1853 oil

31.5.08



um so rri so par ti cu lar

... sílabas, incêndios errantes, vagabundas arquitecturas ...



29.5.08

27.5.08

You're absolutely right, Mrs. Dewitt. This is not a bird.


joanna scott in Slide Show

The Jump of Ks

December 26, 2007

On October 1960, Klein jumped. Deliberately, consciously, rationally even, he decided to totally give up on his precious grains of life. He didn’t do it to become immortal - he jumped, so says the title, into the void of the unknown, that which is behind the common; that which disobeys the ethical.

The Jump

Nevertheless, Klein had the strangest certitude at his heart - a profound belief - that he would live. Maybe, I should be more clear here: Klein believed that he’d be able to come back from the void, and consequently to conquer death.

Death - certainly not what you’ve been thinking of - that end which awaits us all; No, I think that Deleuze’s definition of death, not as a state by its own right, but rather as a void returned by the terminated function of life, the function which performs, since birth, nothing but “dying” - that’s what Klein thought to be overcoming.

By his deep desire to live, Klein gave up on his life, reversing the act of dying, creating a new state of things in which his time capsules were not popping out and collapsing but regenerating themselves - the perpetual odor of birth - with every new grain of time. A complete pleasure.

It was not until two years later, that Klein hit the ground of the void beneath. He died, ceasing to regenerate himself, five months after marrying his beloved wife, Rotraut Uecker, for whom he died two years earlier; for it is said that Rotraut Uecker was present at the moment of the jump.

yves-klein.jpg

Jean Lyons

It's useful, don't you think, to take a good long look at a familiar species from time to time ?


joanna scott in Slide Show

sá nogueira



r.b.kitaj

24.5.08

martine bellen

Magic Musée

1.

She, who's over-conscious of her cage
Formed from heat, moisture, frost, concealment,

How it drips, freezes, fogs
How it forms columnar cracks gashed with glass

toward the blue peninsula, gravity flight
The invisible half of reflection



Attempting to obtain the solidity of an object


Or to remove the clothing of sound, genealogical anxiety,
disrobing at the Hotel Eden

Invinting a way in
To that wich is built over concept


2.

Behold,Thoreau sings for owls, Dickinson hummingbirds
Still life enframes world of spectacle


Or object-spirits


Dewish mute


The Pyramides are letters, some inside
Cul-de-sac feelings or Stonehenge numbers
In twilight the lamp illumines ideological will
A weaving of walls, movable wicker
& caravan carpets strung twixt reeds
Our ground breathes, floats, as we wander
Into cosmologies, cosmogonies
Immeasurable emblems of circumference or protractor


3.

She devoloped the desease of demoniac enthusiasm
On looking at a nymph,
Mystic hunt through childhood, histoire of fountains
Dominating the jardin canary parasols
Perpectual noon antipasto sun crème ballerina
Idyllic dying swan


4.

Wire-netted cage papered with constellations
Promisses of progress or unfoldement from her magic prison (torso)
She traces an analemma, her eyes infinitely distant
Maps night sky or soap bubbles
Navigated by songbird
Whose droppings streak the air
Reminiscent for us of a comet's tail
The result of yesterday's path-strewn bird crumbs


5.

Occupants of the Etrangers
Exalted chanters with a self-contained view
Small white frame
Moon
Sustained patterns of meaning

Spindly-armed shadows stretch through lace curtains
Historians of the mind's voyage

As with other repressions, a vestige of the animal within
Seamless continuum, therefore the bordertown Nostalgia

Her liquid limbs, she interior
To the melody alone

Unraveled eveners

Foaming grottoes & feathered
Lures - yearnings of detachment
Symbolized and effected

Travelogue of a faun's dream



in A Convergence of Birds original fiction and poetry inspired by the work of joseph cornell

archive

box

22.5.08

tree shirt

woodunderware


Finally something tree-huggers and hotties can agree on, eco-friendly lingerie. Constructing panties and bras from white pine trees (without the splinters), French fashion designer Sophie Young strips down her pieces so they’re as soft to the touch as Vickie’s silk ensembles. Trees from North America and Canada are broken down via enzymes and then a day-long process of turning wood into undies takes place. For now Young’s line is only available in the U.K but we’re thinking with a little co-sign from Al Gore and a test run from Spitzer, our chicks may be the ones getting wood this spring.